CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 213
Não tem eficácia a confissão se provém de quem não é capaz de dispor do direito a que se referem os fatos confessados.
Parágrafo único. Se feita a confissão por um representante, somente é eficaz nos limites em que este pode vincular o representado.


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ARTIGOS
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Resumo Jurídico

Usucapião Especial Urbana por Posse-Trabalho: Uma Análise do Artigo 213 do Código Civil

O artigo 213 do Código Civil brasileiro trata de uma modalidade específica de usucapião, conhecida como usucapião especial urbana por posse-trabalho. Este instituto jurídico visa regularizar a propriedade de imóveis urbanos que foram ocupados e, mais importante, transformados ou melhorados pelo possuidor, de forma contínua e pacífica, por um determinado período.

O que o artigo 213 busca proteger?

A essência deste artigo reside em reconhecer e premiar o esforço individual e a função social desempenhada pelo possuidor. Ele reconhece que, em certas situações, a posse prolongada, acompanhada de trabalho e investimento no imóvel, confere ao possuidor um direito real de propriedade, mesmo que a aquisição originária não tenha seguido os trâmites formais.

Quais são os requisitos para a configuração da usucapião especial urbana por posse-trabalho?

Para que o possuidor consiga declarar judicialmente seu direito de propriedade com base neste artigo, é necessário preencher cumulativamente os seguintes requisitos:

  • Posse mansa e pacífica: A posse deve ser exercida sem oposição de terceiros, ou seja, sem disputas judiciais ou extrajudiciais que questionem a legitimidade da posse.
  • Posse contínua: A posse deve ser exercida de forma ininterrupta, sem abandono do imóvel por longos períodos.
  • Imóvel urbano: O bem objeto da usucapião deve estar localizado em área urbana.
  • Prazo de 5 anos: A posse deve ter sido exercida por, no mínimo, 5 anos ininterruptos.
  • Trabalho e melhoramento do imóvel: Este é o diferencial deste tipo de usucapião. O possuidor deve ter realizado obras, benfeitorias ou outras atividades que impliquem em transformação ou melhoramento do imóvel. Isso demonstra um vínculo mais forte com a terra e um investimento que vai além da mera ocupação. Exemplos comuns incluem a construção de residência, instalações produtivas, ou até mesmo a urbanização de terrenos.
  • Utilização para moradia ou trabalho: O imóvel deve ter sido utilizado pelo possuidor para sua moradia ou para o exercício de sua atividade profissional ou econômica. Isso reforça o caráter de função social da posse.
  • Não ser proprietário de outro imóvel: O possuidor não pode ser titular de qualquer outro imóvel, seja ele urbano ou rural. Este requisito visa evitar que a usucapião seja utilizada como um meio de acumulação de propriedades por quem já possui outros bens imóveis.

Qual o efeito prático da declaração de usucapião?

Uma vez comprovados todos os requisitos em juízo, o possuidor terá seu direito de propriedade reconhecido, adquirindo a propriedade originária do imóvel. Isso significa que ele se tornará o legítimo dono do bem, podendo registrar o imóvel em seu nome no Cartório de Registro de Imóveis e exercer todos os direitos inerentes à propriedade.

Em suma:

O artigo 213 do Código Civil é um importante instrumento para a pacificação social e a regularização fundiária urbana. Ele reconhece a importância do trabalho e do investimento na terra, premiando aqueles que, de forma pacífica e contínua, transformaram um imóvel urbano em seu lar ou local de trabalho, desde que não possuam outro bem imóvel. Este dispositivo legal busca garantir a função social da propriedade, incentivando o uso produtivo e a ocupação responsável dos espaços urbanos.